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27/01/2009 18:34
MINORIAS OU A FRAGMENTAÇÃO DA LUTA DE CLASSES
A pós-modernidade esfarelou a luta coletiva dos trabalhadores. A tal fragmentação difundida pelo pensar de certos autores tidos como "pós-modernos", se atém ao sentimento "tribal" ou ao amorfismo das massas. É diferente constatar que hoje em dia (quase) não haja mais "consciência de classe" sob um viés crítico do que enaltecer esse novo fenômeno. Enfim, há alguns que lamentam que tal consciência tenha virado mero fragmento, já outros tecem loas ao seu desaparecimento.
Alguns autores mais reacionários como Francis Fukuyama apontaram o "fim da história" pós-queda do muro de Berlim. Bom, se a história acabou, então em que compartimento entra o 11 de setembro de
2001? Na lata do lixo? O lixo da história contempla a tese de Fukuyama, isso sim...
Outros como Michel Mafesoli apontam para o (re)surgimento das "tribos", como agentes sociais localizados em meio a seus nichos ou guetos, e que polarizam suas contradições não mais organizados como representantes de uma classe, apenas como...tribos.
Jean Baudriliard em "A sombra da maiorias silenciosas" atesta para o "fim do social" e o consequente surgimento das massas como um amontoado que se reconhece mais como espectadores de uma partida de futebol, do que como atores de manifestações políticas. A multidão como gado.
O espetáculo que Guy Débord já havia antes refletido em "A sociedade do espetáculo" - tantas vezes anteriormente citado aqui - é o que predomina no imaginário sócio-político e cultural.
Vale mencionar a tentativa do "Groucho-Marxista" Bob Black acerca de sua proposta do "fim do trabalho", no texto de "A Abolição do trabalho", como aspecto de superação das ideologias
capitalista e socialista, que segundo o próprio se encontram no domínio das classes e sua manutenção simbólica imposta através do trabalho.
"O direito à preguiça" do genro de Marx, Paul Lafargue, também segue na mesma linha de proposta; ambos tendo o ócio como elemento capaz de trazer um futuro menos sombrio e escravo sobre a
humanidade.
Aliás, é bom tomar cuidado quando mencionamos a palavra ÓCIO; não pelo significado entendido pelo senso comum, como "nada-fazer" ou simples "vagabundagem", e sim pela sua transcrição por espertalhões de última hora no ramo da sociologia. O italiano Domenico Di Masi já ganhou alguma grana e fama com livros e palestras levando a cabo sua proposta de "tempo livre", ou seja, algo como uma "sociologia de auto-ajuda" pros executivos e chefes de estado "estressadinhos" ou "entediados" com a vida que levam...sem promover, obviamente, romper com a ordem capitali$ta, claro!
Mas enquanto a revolução não vem, e as relações de trabalho capitali$ta$ se mantém tanto quanto decadentes, quanto demiurgas, pouco-à-pouco perde-se o sentimento de coletividade e aqui chegamos
ao ponto proposto pelo título deste texto.
Não sabemos que norte teórico ao certo se baseiam os movimentos que se dizem representar as "minorias". São tantas "minorias" que somadas já se tornariam a MAIORIA!
Sem ironia, pois enquadram-se neste aspecto os movimentos que representam os interesses de mulheres, negros, estudantes, gays, ecológicos, sem-teto, sem-terra, etc.
Mas poucos desses movimentos refletem a ruptura com o sistema dominante. O MST, por exemplo, possui uma característica classista camponesa, agora outros parecem apenas se organizar em torno
de seus próprios interesses alijados da classe oprimida. Querem participar do capitali$mo e dele usufruir suas "benesses" como o movimento gay, por exemplo.
Antes que algum mal-intencionado que venha a ler esta parte do texto, chame este autor que escreve de "homofóbico", só gostaria de salientar que não recrimino a sua existência. Mas que não
se iludam os movimentos GLBTs, que a opressão social vai se atenuar ou virar purpurina, se não se engajarem coletivamente nesta luta com os demais movimentos representantes dos oprimidos, e assim
adquirir o verdadeiro caráter de movimento de classe.
Essa fragmentação interessa ao sistema opressor. "Dividir para conquistar". O sistema é racista, intolerante, belicista, e segregacionista. E substancialmente, é EXPLORADOR! Não nos iludamos com a democracia burguesa representativa. O capital define e delineia todas as relações intermediadas na sociedade. E ter
consciência dessa realidade seria o primeiro passo para que todas as categorias sociais, que no final das contas são formadas por TRABALHADORES, e neste contexto, que engloba todos os grupos de
"minorias" citados neste texto, possam fazer valer uma luta conjunta, com o desejo de ir além das
garras deste sistema perverso, cujo única finalidade é o lucro de poucos e a escravidão da maioria.
enviada por jucca sassafrás
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